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Vanclécio Cordeiro, suspeito de matar a ex-mulher a facadas no domingo, foi preso nesta terça-feira, quando estava andando na rua perto do bairro de Colégio, na Zona Norte do Rio. Segundo informações iniciais, ele foi reconhecido por um parente da vítima, que o deteve até a chegada da polícia. Fernanda de Souza Siqueira, de 29 anos, foi morta na porta do prédio onde o casal morava antes de se separar, em Vicente de Carvalho, também na Zona Norte do Rio.
Fernanda foi até o imóvel para devolver a chave, a pedido de Vanclécio. Uma faca com cerca de 30 centímetros, usada no crime, foi apreendida no local. De acordo com o delegado Luís Otávio Franco, duas testemunhas foram ouvidas e confirmaram o envolvimento do suspeito.
Segundo relatos de parentes, Vanclécio tinha brigas constantes com a ex e não aceitava o fim do relacionamento. Apesar do histórico de desentendimentos, Fernanda nunca procurou a polícia. Vanclécio não tinha anotações criminais.

Fernanda e Vanclécio se casaram em março de 2015, após alguns anos de namoro, e estavam separados há cerca de três meses. Pessoas próximas contam que ele chegou a apresentar comportamentos agressivos, principalmente quando ingeria bebidas alcoólicas, mas que nunca havia agredido fisicamente Fernanda. No entanto, discussões tornaram-se comuns entre o casal nos últimos meses de relacionamento.
A cunhada de Fernanda, a faturista Myriane Pedreira, de 44 anos, afirma que Vanclécio era muito ciumento e que a separação aconteceu após uma das brigas do casal. Na ocasião, ele chegou a quebrar o vidro do banheiro com um carregador do celular. Neste domingo, Fernanda estava com a família na casa dos pais quando ele ligou pedindo a entrega das chaves do imóvel no qual moraram juntos.
O enterro deve acontecer na terça-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.
Feminicídio em números
De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado do Rio, foram registrados de janeiro a outubro deste ano 54 casos de feminicídio. No mesmo período do ano passado, foram 56 casos. A notificação de feminicídio como uma qualificadora do homicídio doloso passou a ser registrada em outubro de 2016, após a sanção da lei 13.015, que ficou conhecida como Lei do Feminicídio.
A delegada Débora Rodrigues, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) do Centro do Rio, afirma que esse tipo de crime ainda tem alta taxa de subnotificação.
— É preciso ter em mente que o nome feminicídio existe desde 2015. Há três anos a morte de uma mulher pelo fato de ser mulher recebeu esse nome. Pode parecer um fato novo, mas de novo não tem nada. O Brasil já ostenta a quinta colocação como o país em que mais se mata mulher em razão de ser mulher. Todo número relacionado a violência doméstica ainda é muito subnotificado — diz a delegada, referindo-se a um estudo elaborado pela ONU Mulheres Brasil, em abril de 2016.

Para a delegada, é preciso investir em políticas públicas para combater o feminicídio.
— É preciso que a mulher vítima de violência doméstica seja amparada, seja acolhida na primeira vez que ela for à delegacia. E não só na delegacia, mas nas demais instituições. A polícia é a porta de entrada, mas essa vítima precisa de atendimento psicológico e jurídico — diz.
Na Justiça do Rio, foram julgados 89 novos processos de feminicídio no ano passado. Este ano, foram 63 até setembro. De acordo com a juíza Katerine Jatahy, muitos casos passam a ser tratados como feminicídio em um segundo momento.
— Um dos gargalos é o registro na delegacia. Em alguns casos, no primeiro momento a violência não é registrada como feminicídio e, às vezes, no processo se percebe que a tipificação na delegacia ocorreu de forma errada — explica ela, acrescentando que a investigação do feminicídio é diferente das demais: — O feminicídio tem um tratamento diferente. É uma investigação que envolve outros elementos não envolvidos num homicídio normal. O agressor, normalmente, é uma pessoa que está dentro de casa, que pode destruir as provas.
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